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Publicidade & Malandragem

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“Recentemente vi uma publicidade na televisão da principal operadora de telefonia celular do Brasil. Duas coisas me chamaram a atenção de cara:

1) como esse anúncio televisivo, à semelhança de tantos outros do país, faz uma apologia à ‘malandragem’ brasileira; e

2) como a mensagem de mau-caratismo transmitido por ele é um retrato fiel dessa empresa – notória por sua falta de ética e seu desrespeito para com seus clientes. Este colunista fala com conhecimento de causa, pode acreditar.

Mas, passando para o primeiro tema, o que quero tratar e menos desagradável do que a falta de ética dessa operadora, é interessante (ou desconcertante) como o anúncio vangloria um rapaz que usa os serviços da tal empresa para falar com suas três namoradas – uma de cada estado.

No fim, ele esboça um sorriso maroto (OBS: para o seu próprio bem, não faça aqui uma associação com a sofrível banda de pagode com o mesmo nome). Afinal, ele é o cara, o vencedor, o perfeito anti-herói brasileiro, o Macunaíma por excelência.

Ele dá seu jeitinho de ter três namoradas ao mesmo tempo sem que nenhuma saiba da existência da outra. O outro – o que não aparece nos comerciais, e que tem só uma namorada (e que de preferência não a traia) – esse é o otário, o ‘loser’.

Tal qual o ‘mané’ que aguenta firme e forte as insuportáveis horas do nosso engarrafamento de cada dia sem protagonizar uma cena de “Um Dia de Fúria”, se recusando a cortar caminho pelo acostamento.

Parece o roteiro de 99% das propagandas de cerveja no país, as quais – reconheço – são quase sempre muito divertidas e criativas, características conhecidas da respeitada e premiada propaganda brasileira.

Mas eu pergunto: será que precisam sempre apelar para e exaltar essa malandragem já tão desgastada, para esse ‘jeitinho’ de querer tirar uma vantagem pessoal em tudo, que ao mesmo tempo é parte de nossa cultura mas que também nos faz tão mal?

Essa é a minha opinião de metrossexual não-publicitário metido (sem duplo sentido) a filósofo de botequim.

E vocês, o que acham?”

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