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Por que Rock in Rio, Iron Maiden e Bell Marques estão criando suas próprias corridas de rua
Rock in Rio, Bell Marques e Iron Maiden criaram corridas próprias. Entenda por que marcas de entretenimento estão apostando no boom do wellness no Brasil.

Roberta Medina subiu ao palco no último dia do Rock in Rio 2026 para confirmar a edição de 2028 e anunciar uma novidade que não tem nada a ver com line-up: a Rock in Run, primeira corrida oficial do festival. Percursos de 5 km e 10 km, largada ao pôr do sol no Rio de Janeiro, chegada de noite dentro da Cidade do Rock, com show, gastronomia e até sósias de artistas na linha de chegada.
À primeira vista, parece só mais uma ativação. Mas o Rock in Rio não está sozinho nesse movimento, e essa é a parte que interessa para quem trabalha com marca.
Semanas antes, o Iron Maiden estreou a Run for Your Lives em São Paulo, sua primeira corrida oficial no mundo, parte das comemorações de 50 anos da banda. E há anos o cantor Bell Marques roda o Brasil com a Corrida 100% Você, criada com os filhos Rafa e Pipo Marques, já com mais de 110 mil corredores reunidos em uma única temporada.
Três nomes, três escalas diferentes, o mesmo movimento de fundo: marcas de entretenimento deixando de patrocinar corridas de rua para criar as próprias.
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Contexto: a corrida virou território de marca
Esse movimento não nasce isolado. Ele acompanha um boom real do running no Brasil. A segunda edição da pesquisa “Por Dentro do Corre”, da Olympikus em parceria com a Box1824, divulgada no início de 2026, aponta 15 milhões de brasileiros correndo regularmente, dois milhões a mais que no ano anterior. A corrida segue como o quarto esporte mais praticado do país. O calendário nacional de provas hoje cobre praticamente todos os meses do ano.
O mercado publicitário já vinha respondendo a isso. A Nike comprou os naming rights da SP City Marathon no fim de 2025. A Adidas patrocina a Maratona do Rio desde 2022. E marcas esportivas já mantêm circuitos próprios há anos, como a Asics com o Golden Run, criado há mais de uma década e em expansão para outros países da América Latina, e o Track&Field Run Series, hoje batizado Santander Track&Field Run Series, o maior circuito de corrida de rua do continente em número de provas.
O que muda agora é a origem da iniciativa. Não é mais só marca esportiva ou fitness entrando na corrida. É o entretenimento, a música, o próprio artista, decidindo que a corrida pode ser dele. É esse deslocamento, de marca esportiva para marca de entretenimento, que torna o fenômeno interessante para quem pensa estratégia de conteúdo e ativação.
Análise estratégica: por que marcas de entretenimento apostam na corrida
Cada um dos três casos revela uma camada diferente da mesma lógica, e juntos formam quase uma linha evolutiva.
Artista solo, proximidade pessoal. A Corrida 100% Você nasceu de Bell Marques e virou, segundo Pipo Marques, um projeto pensado para unir “wellness e entretenimento”. Aqui a corrida funciona como extensão do relacionamento direto entre artista e fã, reforçada pelo próprio Bell, que costuma correr ao lado do público e depois subir ao palco com a família. É marca pessoal em movimento, literalmente.
Festival, ativo institucional. No Rock in Rio, a lógica é outra: transformar um comportamento que já existia informalmente, a corrida dos fãs até a grade assim que os portões abrem, em produto oficial do festival. Roberto Medina associou a criação da Rock in Run à busca por conectar o público a hábitos de saúde sem abrir mão da “festa”. É a marca institucional tentando capturar um consumidor que já enxerga corrida como parte do lazer, não como oposto dele.
Banda internacional, ritual de celebração. A Run for Your Lives do Iron Maiden é a prova mais clara de que o fenômeno não é exclusividade brasileira. A banda escolheu o Brasil para estrear sua primeira corrida oficial no mundo, dentro das celebrações de 50 anos de carreira, com kits temáticos do mascote Eddie e organização da Índice Sports Marketing, agência especializada licenciada pela banda. A escolha do país não é acaso: o Brasil é apontado como um dos territórios com a fanbase mais apaixonada do Iron Maiden no mundo, o que ajuda a explicar por que a estreia global da corrida aconteceu justamente aqui.
O denominador comum entre os três casos é o mesmo: a corrida deixou de ser só ativação esportiva paralela e virou uma extensão narrativa da marca. Ela entrega o que um show sozinho não entrega, um ponto de contato mais longo com o público. A jornada começa na inscrição, passa pela retirada do kit, pela largada, pelo percurso, e só termina no show pós-prova. São várias oportunidades de contato onde antes havia apenas uma, o dia do evento.
Isso também resolve um problema comum para quem vive de shows e festivais: como manter o fã engajado nos meses em que não há evento. Uma corrida de rua cria calendário, cria conteúdo de redes sociais nos meses de intervalo, e cria motivo para o fã continuar interagindo com a marca fora da data do show.
Reflexão: quando correr para ver o show vira o show
O detalhe mais revelador talvez esteja na fala do próprio Bell Marques, que brincou recentemente que, durante décadas, eram os fãs que corriam atrás dele no trio elétrico, e que agora resolveu inverter esse movimento incentivando o público a cuidar do corpo e da mente. É uma inversão simbólica que resume bem o que está acontecendo: o gesto espontâneo do fã virou produto planejado da marca.
Isso não significa que toda marca de entretenimento deveria sair criando corrida própria. Os três casos analisados têm escala, orçamento e uma base de fãs fiel o suficiente para sustentar esse tipo de extensão sem parecer forçado. O risco, para quem tentar copiar a fórmula sem essa base, é criar um evento que não conversa organicamente com a identidade da marca.
Mas o padrão já está estabelecido o suficiente para deixar de ser coincidência. Quando um artista solo, um dos maiores festivais do mundo e uma das bandas mais tradicionais do rock chegam à mesma conclusão, dentro de poucos meses um do outro, isso deixa de ser tendência isolada e passa a ser sinal de mudança estrutural no que significa ser fã, e no que uma marca de entretenimento pode oferecer além do palco.
Perguntas frequentes
Por que marcas de entretenimento estão criando corridas de rua?
Porque a corrida virou um comportamento de massa no Brasil, com 15 milhões de praticantes, e oferece às marcas um ponto de contato mais longo com o fã do que um show sozinho, estendendo o relacionamento para antes e depois do evento.
O que é a Rock in Run?
É a primeira corrida oficial do Rock in Rio, com percursos de 5 km e 10 km e capacidade para 10 mil atletas. Acontece em setembro de 2028, no evento-teste que antecede a próxima edição do festival no Rio de Janeiro.
O que é a Corrida 100% Você?
É o circuito de corridas criado por Bell Marques com os filhos Rafa e Pipo Marques, com percursos de 5 km e 10 km seguidos de show da família. Reuniu mais de 110 mil corredores em 12 edições só em 2025.
Quando é a corrida do Iron Maiden no Brasil?
A Run for Your Lives acontece em 10 de outubro de 2026, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, dias antes dos shows da banda na cidade. É a primeira corrida oficial do Iron Maiden no mundo.
Marcas esportivas também têm corridas próprias?
Sim, há anos. A Asics mantém o Golden Run e o Santander patrocina o Track&Field Run Series, o maior circuito de corrida de rua da América Latina em número de provas. A novidade agora é o entretenimento entrando nesse jogo.













